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quarta-feira, março 20, 2013

Casa do Cordel.

Casa do Cordel do poeta Flávio Dantas, torna sonho de jovem poeta da Zona Rural de Jaçanã em realidade, ao apoiar a edição de seu primeiro cordel. Parabéns José Reginaldo.

“Novidade Matuta”

Mas uma vez no espaço
Reservado a poesia,
No momento de descanso
Para minha boemia,
Peço licença ao leitor
E a toda cidadania.

No simples talento que tenho
Já rimei com o amor,
Já fiz verso de matuto
Até sobre o criador,
Onde expresso meu talento
Para o amigo leitor. 01.

Agora nesse espaço
Deixo o amor para outro tema,
Pra falar de um matuto
Daqueles que o sol empena,
Agricultor do sertão
Frequentador de novena.

Queixo Fino era católico
Porem muito estranho,
Era magro , alto, feio
De um e noventa seu tamanho,
Possui um jumento
No qual tange seu rebanho.

Queixo Fino porem era
Um cara bem comportado,
Porem os seus segredos
Nunca a ninguém eram contados,
Carregava na cachola
Bem lembrados e guardados. 02.

Assim num dia de novena
Com os amigos a conversar,
Falava os seus assuntos
Dizendo que ia casar.
Com uma morena bela
Linda de encantar.

Ilza Rosa sua noiva
Porem era muito bela,
Com dois dentes na frente
De blusa e saia amarela,
No cabelo pente não entrava
Sorriso de Cinderela.

Os dois eram um casal
Feitos dois pombinhos de perfeição,
Namoravam cinco anos
Naquele lindo sertão,
Não se falava em outro assunto
A não ser essa paixão. 03.

Queixo Fino comia pouco
Meio quilo de feijão,
Um cuscuz e uma rapadura
Uma tigela de pão
E para sua sobremesa
Acompanhava um suco de limão.

Na conversa com os amigos
Falava sobre economia,
No bom inverno que vinha
A inflação não subia,
Faria um bom casamento
Não faltava o que queria.

O compadre Ivo Freire
Comerciante do lugar,
O mais rico e mais famoso
De todos os outros do lugar,
Reunido aos amigos
Estava também a indagar. 04.

Ivo Ferreira olhou para o jovem
Assim como dizia,
Hoje desse cara descubro
Qual a sua fantasia,
O seu segredo mais secreto
Perguntou o que ele comia.

O jovem porem muito feliz
Respondeu ao patrão,
Minhas comidas preferidas
São rapadura, milho verde e feijão,
Rola, lambu, juriti,
Sibito, fava, gavião.

E para a sobremesa
Eu gosto mesmo de um limão,
Um litro de suco gelado
Com uma tigela de pão,
E depois um cigarro
Para relaxar o coração. 05.

O jovem não conhecia
As comidas do patrão,
Não sabia o que era
Salsicha , linguiça, requeijão,
Ervilha, pizza, carne-de-sol
Vatapá, bacalhau, parmesão.

Ivo Ferreira muito curioso
Querendo mais coisa curiar,
Convidou o bom jovem
Para em sua casa almoçar,
Na sua fazenda de laser
Local bom pra descansar.

Na hora do almoço
Na mesa farta de tudo ,
Tinha tudo em quantidade
E queixo Fino ali mudo,
Observou bem na mesa
Aquele troço rombudo. 06.

Era rombudo nas duas pontas
Mas ou menos uns cinquenta,
Eram salsichas bem vermelha
E tinha cor de pimenta,
Aqui não se come miúdo
Ovo frito com polenta.

O jovem fez o seu prato
Calculou bem o seu prato,
De cada coisa que tinha
Colocava um pedaço,
Comia feito um coelho
Passado três dias no laço.

Só que o queijo parmesão
Era o que ele mais comia,
A salsicha também era
A novidade do dia,
Mais ou menos duas horas
Da mesa ele saia. 07.

Disse patrão Ferreira
A comida me ofendeu,
Comi muito desse troço
Eu não sei o que se deu,
Botou a mão na barriga
E pro sanitário correu.

Do jeito que ele ia
Só fez se abaixar,
Depois de alguns minutos
Ele estava a assoprar,
Vermelho igual um camarão
Fedendo feito um gambá.

No pé ligeiro que deu
Só a salsicha não se desmanchou,
O queijo só era água
E a salsicha se espalhou,
Em cinquenta pedacinhos
Pelo vago defecador. 08.

O jovem como estava
Nervoso e muito suado,
Procurou no banheiro
Um pedaço de papel amassado,
Encontrando pedaço de papel higiênico
Ficou logo assustado.

Começou a puxar o troço
Já nervoso e cansado,
Enrolou o papel na mão
E limpou o mal criado,
Depois de duas horas
Voltou desconfiado.

Seu patrão na sua espera
Foi logo lhe perguntando,
Meu filho o que aconteceu
Porque você está chorando?
Não foi nada meu patrão
Apenas estou suando. 09.

Queixo Fino pegou seu jegue
E saiu em disparada,
Fedia feito gambá
Ainda sem saber de nada,
Chegando em casa soluçando
Encontrou com sua amada.

Ilza Rosa Muito carinhosa
Preparou para o leitão,
Um bom banho acompanhado
Com desinfetante e sabão,
E para a catinga
Meio balde de limão.

Depois do banho tomado
Sua história foi contar,
Depois de tudo contado
Disse vamos nos casar,
Garanto que em minha casa
Comida não vai faltar. 10.

Enquanto eu for gente
Fubá , milho ou feijão,
Será o nosso alimento
E para nossa criação,
Trabalhei com agricultura
O trabalho do sertão.

Se um dia patrão Ferreira
Outra vez me convidar,
Digo a ele o seguinte
Não venha me indagar,
Porque em sua casa
Não paro nem pra conversar.

Se você quiser ver
Queixo Fino esbravejar,
Compre linguiça e parmesão
E aquele vatapá,
Prepare uma baita de uma mesa
E o convide pra almoçar. 11.

Nota

Esse é o primeiro cordel do jovem José Reginaldo, que já escreveu diversos trabalhos, e tinha como sonho e edição do seu primeiro cordel. Pelo seu talento, com certeza esse será o primeiro de muitos que virão.

Apoio: Flávio Dantas
O Poeta do Povão.

12.

Sobre o autor:

Biografia: José Reginaldo é um jovem de origem humilde nascido no dia 17 de agosto no ano de 1985 no sítio Santo Alberto município de Coronel Ezequiel - RN, não muito estudado , apenas cursou o Ensino Médio , tem em mente um sonho , ser poeta, e lançando seu primeiro trabalho , o livro Novidade Matuta , espera fazer prevalecer a vontade dos leitores pelo seu trabalho.

Contato:
Celular: 87426551

“José Reginaldo o Poeta Apaixonado”

Sítio Lages do Damião, Jaçanã - RN.

Apoio: Casa do Cordel, Jaçanã – RN.
“Novidade Matuta”

Coleção Própria
Cordel nº 001
Sítio Lages do Damião, Jaçanã - RN
Autor: José Reginaldo
O Poeta Apaixonado
Março de 2013.

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