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sexta-feira, maio 10, 2013

Essa tem no Caçuá de Poesias.



“Num Açaprão Sem Xerém”
A vida do professor nos dias atuais.



Amigo que me escuta
Ou mesmo esse verso ler,
Aqui faço um relato
Que registrei ao escrever,
Falo de homem e mulher
Nos caminhos do saber.

Me refiro ao professor
Que vive no vai-e-vem,
O pai de toda profissão
Onde procura fazer o bem,
Professor que hoje vive
Num açaprão sem xerém.   01.

Pois é tanta violência
E tanta enganação,
Que deixa desanimado
Esse herói da educação,
Por isso eu lhe coloco
Hoje preso num açaprão.

Sabemos que o professor
É quem ensina a ler,
Sabemos que o professor
É quem ensina a escrever,
Sabemos que o professor
É o caminho do saber.

Sabemos que qualquer pessoa
Para ter uma profissão,
É pelas mãos de um professor
Que tem sua formação,
E que o professor é um amigo
Pronto sempre a dar a mão.     02.

Mas o tempo muda tudo
Até no ramo de educar,
Infelizmente o respeito
Tá prestes à acabar,
E o profissional professor
Não sei onde vai parar.

Vou tentar em algumas linhas
Falar dos dias atuais,
Onde nosso professor
Já perdeu a sua  PAZ,
Muitos já estão parando
Sem conseguir dar aulas mais.

O professor perde à saúde
Tentando ensinar bem,
Se corre pro hospital
Plano de saúde não tem,
Vira sofredor de filas
Pois sua vez nunca vem.    03.

Perdeu a saúde em sala
Com os alunos atuais,
Se um dia ele foi mestre
Hoje é o satanás,
E se tentar revidar
Vira assunto de jornais.

Se convoca a família
É grande o desprazer,
A mãe diz na reunião
Que não tem o que fazer,
E sobra pro professor
O pepino, pode crer.

O professor é um sofredor
Na educação atual,
O aluno, um intocável
Como algo especial,
Coitado do professor
Quando é assunto de jornal.    04.

Tem colega professor
Que sua voz já perdeu,
Tem colega professor
Que a vista já escureceu,
Tem colega professor
Que de ensinar esqueceu.

Muitas vezes falta apoio
Por parte da direção,
Que joga todo pepino
Com certeza em sua mão,
Nessa hora ele se sente
Preso nesse açaprão.

Muitas vezes esse apoio
Não encontra em ninguém,
Até mesmo alguns colegas
As costas viram também,
Deixando o professor atual
Num açaprão sem xerém.   05.

Por parte dos governantes
Aumenta a aflição,
Entra plano e sai plano
E é só enrrolação,
O discurso é bonito
Se falam em educação.

Inventaram o FUNDEF
Conversa teve demais,
Temos que admitir
Aumentou alguns reais,
E nossa educação
Melhorou pouco demais.

Depois veio o FUNDEB
Bandeira de eleição,
O professor se animou
Já pensava em milhão,
Mas quando ele acordou
Não passou de um tostão.    06.

Hoje o maior problema
Para o nosso professor,
É o clima de violência
Que ultrapassou o amor,
Atrapalhando o trabalho
Desse grande trabalhador.

Muitos casos com certeza
A droga é a vilã,
Destruindo nossos jovens
Tarde, noite e dimanhã,
Jovem que era do bem
Agora do mal é fã.

Professor é agredido
Algumas vezes verbal,
Professor é agredido
Com violência corporal,
Professor se torna réu
Em assunto de jornal.       07.

O professor que foi mestre
Que com respeito era tratado,
Hoje perde a moral
Por muitos é desrespeitado,
É por isso que seu sonho
É estar aposentado.

Amigo que me escuta
Ou mesmo esse verso ler,
Defenda o professor
Nos caminhos do saber,
Pois o mundo sem professor
É como vida sem viver.

Esse trabalho é o  desabafo
Com certeza de alguém,
Que também é professor
Sofrendo no vai-e-vem,
E no momento se acha
Num açaprão sem xerém.    08.
Flávio Dantas, O Poeta do Povão. 13/11/10.

Flávio Dantas
O Poeta do Povão/Jaçanã-RN.
Email:  flaviodantas35@yahoo.com
     O poeta nasceu na cidade de Campina Grande-PB,em 09/10/63,sendo filho de Edmundo Dantas e de Severina Medeiros,é casado com Lucicléa e tem um filho chamado Arthur.Desde dezembro de 1969 reside em Jaçanã-RN.
     Desde criança gosta de escrever poesias,mas, só a partir de 2002 começou a guardar seus trabalhos,ultrapassando hoje, mais de mil escritos,esse é o verso nº 163 impresso em cordel.
      Esse cordel é o desabafo desse poeta que também é professor, e como os colegas de profissão, está cada dia mais preocupado com o futuro de nossa profissão.
“Num açaprão sem xerém”
A vida do professor nos dias atuais.

Coleção própria    =    Cordel nº  163
Jaçanã-RN / novembro de 2010.
Autor: Flávio Dantas, O Poeta do Povão.
“Obrigado meu DEUS,pelo dom da VIDA”.


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