“A Cumbuca da Saudade”
O poeta sente
orgulho
E também
felicidade,
Ao escrever
esse verso
Para o campo e
a cidade,
Levando até
você
A Cumbuca da saudade.
Resolvi
lembrar em versos
As coisas que
já passou,
Apesar que
teve algumas
Que o tempo
não acabou,
São partes de
nossa vida
Que o poeta
lembrou. 01.
Começo com as
vestimentas
Que vestiram o
povão,
Embaixo teve apragata
No meio samba canção,
E pro frio
tinha o xale
Por dentro combinação.
O califon e coipête
Na certa foi sutiã,
A calçola tava embaixo
Tarde, noite
ou dimanhã,
E pra
esquentar o frio
O capote teve fã.
A mulher usou anágua
Roupa ingomada também,
O homem o suspensório
No eterno
vai-e-vem,
Não esquecendo
o caxicol
Fosse aqui ou
no além. 02.
De tecido o baêta
Para muitos costurar,
O naicron foi outro pano
Que eu pude
recordar,
O voltamundo e a xita
Não poderiam
faltar.
Agora eu
lembro um pouco
Da velha
alimentação,
Café adoçado com rapadura
E de feijão o cancão,
Na seca faxeiro assado
Lá pras bandas
do Sertão.
O bugô foi na merenda
Que eu cheguei
a comer,
O angu era de milho
Com vovó para
fazer,
O refresco pro almoço
Pra toda turma
beber. 03.
O milho era de molho
Pra outro
prato aprontar,
O kiçuco com pão doce
Não poderia
faltar,
Confeito, políe ponche
Na certa pra completar.
Amigos nesse
meu verso
Eu falo com
alegria,
De coisas que
já passaram
Com certeza
noutro dia,
Muitas não
existem mais
Mas eu não
esqueceria.
Na casa nunca
faltava
É claro mão-de-pilão,
Trinchete pra cortar carne
Pra clarear lampião,
E para carregar
troços
Tinha o velho matulão. 04.
Pra roupa ferro-de-brasa
E na dispensa
o giral,
Tamburete pra sentar
Na cozinha o
pessoal,
Roladeira para água
E papeiro pro mingal.
Cristaleira e pitisqueiro
Para os troços
guardar,
O bule para o café
O banco pra se sentar,
Elemento para rádio
E pro burro o caçoá.
Pra água tinha
o pote
Cabaça d´água também,
Radiola com seu disco
Animava o povo
bem,
Barrio carregando água
Que na certa a
cuia vem. 05.
Tinha pilão-de-alpendre
Para o milho
ali pisar,
Oratório para reza
Não poderia
faltar,
E candeeiro na cozinha
Para todos
alumiar.
Pra guardar
roupa e troços
No quarto
tinha o baú,
Pra carregar
troço em burro
Também tinha o
uru,
Arupemba não faltava
Isso garanto
pra tu.
Fofulera pro cigarro
E pinico pra mijar,
O quengo para panela
O tacho pra cozinhar,
A chaleira para água
Panela-de-barro pra completar. 06.
Vassoura-de-mato pra varrer
Usava toda
mulher,
Também tinha
um caixão
Chamado de atajé,
São coisas dos
velhos tempos
Com alegria e
com fé.
Vou lembrar de
outras coisas
Nessa minha
narração,
Com as
aventuras de Camonge
E os Cangaceiros de Lampião,
E não posso
esquecer
As missões de Frei Damião.
Catembade agave ou coco
Para o fogo
acender,
Tinha doença-do-mundo
Que hoje é DST,
Rezadeira que ainda tem
Para o olhado
benzer. 07.
A moça estava virgem
Na hora do
casamento,
A parteira pro menino
Na hora do
nascimento,
O resguardo
com galinha
Hoje no
esquecimento.
Ainda vi enterro em rede
Na falta de um
caixão,
Pro comércio tropa de burro
Cortando a
região,
Caracachá lá no Céu
Na noite de
São João.
A butijacom certeza
Era antes do rapé,
No nosso fogão a lenha
Tinha a velha chaminé,
E prostíbulo era chamado
De vajão ou cabaré. 08.
Caminhão pau-de-arara
Levava o povo
pro Sul,
A novela era no rádio
Eu garanto
para tu,
E no nosso
carnaval
Também tinha papangu.
Pastoril ainda tem
Faxiletee farol,
Um pulo era um
pinote
Arrudei um caracol,
E o velho chapéu-de-couro
Para proteger
do Sol.
Bodoque era armadilha
O currimboquetambém,
O fojo para preá
Pra ser preso
por alguém,
Arataca pra ladrão
Você sabe
muito bem. 09.
Cascudo, dente-de-ouro
Palmatória para ler,
A papeira ou a caxumba
Para quem
adoecer,
E o velho beju de forno
Delícia para
comer.
O chifre sempre existiu
Em nossa
população,
A pisa era uma surra
Pra mulequeimpucivão,
E CoronéLudugero
Animava o
povão.
Tinha até moça bulida
É claro sem o
pai saber,
Pra arranjar
um casamento
Na certa ia
sofrer,
Pois até expulsa de casa
A coitada ia
ser. 10.
Muitas coisas
nesse verso
Esqueci de escrever,
Talvez no
volume dois
Um dia tu
possa ler,
São coisas de
quem escreve
Com alegria e
prazer.
Quem escreveu
esse verso
Fez tudo de
coração,
Procurando
resgatar
Essa nossa tradição,
São coisas de Flávio Dantas
O Poeta do Povão.
11.
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