Fucei no Caçuá de Poesias e encontrei esse cordel que
escrevi em 2005.
“A Cumbuca da Saudade”
O poeta sente orgulho
E também felicidade,
Ao escrever esse verso
Para o campo e a cidade,
Levando até você
A
Cumbuca da saudade.
Resolvi lembrar em versos
As coisas que já passou,
Apesar que teve algumas
Que o tempo não acabou,
São partes de nossa vida
Que o poeta lembrou. 01.
Começo com as vestimentas
Que vestiram o povão,
Embaixo teve apragata
No meio samba canção,
E pro frio tinha o xale
Por dentro combinação.
O califon
e coipête
Na certa foi sutiã,
A calçola
tava embaixo
Tarde, noite ou dimanhã,
E pra esquentar o frio
O capote
teve fã.
A mulher usou anágua
Roupa
ingomada também,
O homem o suspensório
No eterno vai-e-vem,
Não esquecendo o caxicol
Fosse aqui ou no além. 02.
De tecido o baêta
Para muitos costurar,
O naicron
foi outro pano
Que eu pude recordar,
O voltamundo
e a xita
Não poderiam faltar.
Agora eu lembro um pouco
Da velha alimentação,
Café
adoçado com rapadura
E de feijão o cancão,
Na seca faxeiro assado
Lá pras bandas do Sertão.
O bugô
foi na merenda
Que eu cheguei a comer,
O angu
era de milho
Com vovó para fazer,
O refresco
pro almoço
Pra toda turma beber. 03.
O milho
era de molho
Pra outro prato aprontar,
O kiçuco
com pão doce
Não poderia faltar,
Confeito, polí e ponche
Na certa pra completar.
Amigos nesse meu verso
Eu falo com alegria,
De coisas que já passaram
Com certeza noutro dia,
Muitas não existem mais
Mas eu não esqueceria.
Na casa nunca faltava
É claro mão-de-pilão,
Trinchete pra cortar carne
Pra clarear lampião,
E para carregar troços
Tinha o velho matulão. 04.
Pra roupa ferro-de-brasa
E na dispensa o giral,
Tamburete pra sentar
Na cozinha o pessoal,
Roladeira para água
E papeiro
pro mingal.
Cristaleira e pitisqueiro
Para os troços guardar,
O bule
para o café
O banco
pra se sentar,
Elemento
para rádio
E pro burro o caçoá.
Pra água tinha o pote
Cabaça
d´água também,
Radiola com seu disco
Animava o povo bem,
Barrio carregando água
Que na certa a cuia vem. 05.
Tinha pilão-de-alpendre
Para o milho ali pisar,
Oratório para reza
Não poderia faltar,
E candeeiro
na cozinha
Para todos alumiar.
Pra guardar roupa e troços
No quarto tinha o baú,
Pra carregar troço em burro
Também tinha o uru,
Arupemba não faltava
Isso garanto pra tu.
Fofulera pro cigarro
E pinico
pra mijar,
O quengo
para panela
O tacho
pra cozinhar,
A chaleira
para água
Panela-de-barro pra completar.
06.
Vassoura-de-mato pra varrer
Usava toda mulher,
Também tinha um caixão
Chamado de atajé,
São coisas dos velhos tempos
Com alegria e com fé.
Vou lembrar de outras coisas
Nessa minha narração,
Com as aventuras de Camonge
E os Cangaceiros de Lampião,
E não posso esquecer
As missões de Frei Damião.
Catemba
de agave ou coco
Para o fogo acender,
Tinha doença-do-mundo
Que hoje é DST,
Rezadeira que ainda tem
Para o olhado benzer. 07.
A moça estava virgem
Na hora do casamento,
A parteira
pro menino
Na hora do nascimento,
O resguardo com galinha
Hoje no esquecimento.
Ainda vi enterro em rede
Na falta de um caixão,
Pro comércio tropa de burro
Cortando a região,
Caracachá lá no Céu
Na noite de São João.
A butija
com certeza
Era antes do rapé,
No nosso fogão a lenha
Tinha a velha chaminé,
E prostíbulo
era chamado
De vajão
ou cabaré. 08.
Caminhão pau-de-arara
Levava o povo pro Sul,
A novela
era no rádio
Eu garanto para tu,
E no nosso carnaval
Também tinha papangu.
Pastoril
ainda tem
Faxilete
e farol,
Um pulo era um pinote
Arrudei um caracol,
E o velho chapéu-de-couro
Para proteger do Sol.
Bodoque era armadilha
O currimboque
também,
O fojo
para preá
Pra ser preso por alguém,
Arataca pra ladrão
Você sabe muito bem. 09.
Cascudo, dente-de-ouro
Palmatória para ler,
A papeira
ou a caxumba
Para quem adoecer,
E o velho beju de forno
Delícia para comer.
O chifre
sempre existiu
Em nossa população,
A pisa
era uma surra
Pra muleque
impucivão,
E Coroné
Ludugero
Animava o povão.
Tinha até moça bulida
É claro sem o pai saber,
Pra arranjar um casamento
Na certa ia sofrer,
Pois até expulsa de casa
A coitada ia ser. 10.
Muitas coisas nesse verso
Esqueci de escrever,
Talvez no volume dois
Um dia tu possa ler,
São coisas de quem escreve
Com alegria e prazer.
Quem escreveu esse verso
Fez tudo de coração,
Procurando resgatar
Essa nossa tradição,
São coisas de Flávio Dantas
O
Poeta do Povão.
11.
Casa do Cordel
Rua João Fernandes, 59
Jaçanã - RN
· Venda de
cordéis;
·
Encomenda de
trabalhos em cordel;
·
Venta de produtos
feitos com plantas medicinais;
Flávio
Dantas, O Poeta do Povão.
Email:
flaviodantas35@yahoo.com
12.
Flávio
Dantas
O
Poeta do Povão
Jaçanã – RN
Email:
flavio.domingos@yahoo.com
O Poeta nasceu na cidade
de Campina Grande-PB, em 09-10-63, sendo filho de Edmundo Dantas e de Severina
Medeiros, é casado com Lucicléa e tem um filho chamado Arthur.
Sempre gostou de
escrever em forma de rima, tendo tendência pelo cordel, e hoje já com um bom
número de trabalhos, procura divulgar sempre que tem oportunidade.
Esse trabalho tenta te
levar a uma viagem ao passado tão rico de nossa cultura.
“A Cumbuca da Saudade”

Coleção
Própria
Cordel nº 022
Jaçanã -
RN / 2005.
Flávio
Dantas -
O Poeta do Povão.
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